Oração da Serenidade



Deus, concedei-me,
A serenidade para aceitar as coisas que eu não posso modificar;
Coragem para modificar as coisas que posso, e
Sabedoria para saber a diferença.
Vivendo um dia de cada vez;
Desfrutando um momento por vez;
Aceitando as dificuldades como o caminho da paz;
Tomando, como ele fez, este mundo pecaminoso como ele e, não como eu gostaria que fosse;
Confiando em que ele fará todas as coisas certas se eu submeter-me a sua vontade.
Que eu possa ser razoavelmente feliz nesta vida;
E infinitamente feliz com ele para sempre na próxima.
Amém.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

vamos pensar


Atitude suspeita, privilégio ou discriminação social

                As forças de Seguranças Pública/Urbana vêm em seu cotidiano atravessando varias polemicas e constrangimento quanto a interpretação  fixada no ordenamento jurídico, porem a subjetividade  é capaz de ferir algumas visões da sociedade.
                 No sentido pratico nos faculta dizer que Atitude Suspeita em analise de momento, é tema aberto e vasto que se pauta em  uma  disposição dos agentes públicos em avaliar  uma desconfiança ou suposição como boa ou ruim, desejáveis ou indesejáveis, tornando a ação em algo intuitivo e frágil, por natureza.
                 A dificuldade em definir, é de que, o Guarda Municipal milita em um terreno solitário ou conjugado porem fértil para interpretações, experiências pessoais percebendo-se nitidamente a  discricionariedade  em definir subjetivamente quem desperta suspeitas.
               Quando  se imagina uma pessoa suspeita cada profissional  delineia o seu estereótipo que pode ser diferente e divergente  por falta de parâmetros sociais concisos.
               Nota-se  a necessidade de que a suspeita seja fruto de fundamentação concreta pautada em fatos presenciais, testemunhas idôneas e não imantadas pela emoção pessoal.
               O Guarda Municipal não deve se deixar levar apenas por uma mera dedução, uma presunção desarrazoada e ilógica.
              O que se observa hoje é que a maioria das pessoas por criação, tem adquirido preconceito oriundo de infância, necessitando de  entendimento, uma reeducação, no sentido de amenizar a circunstâncias do preconceito rácico.
              Preconceitos podem, no imaginário social, determinar que o suspeito  seja aquele que  não está  vestido em conformidade com o esteriótipo que a sociedade define como aceitável, ou seja,  analisa a pessoa desprivilegiada superficialmente com cara de malfeitor, principalmente quando se constata que os estereótipos que estão dentro de cada  também se fazem presentes no cotidiano policialesco.
              Experiências pessoais e profissionais podem estigmatizar determinada aparência como suspeita e, diante da incerteza da definição legal, podem delimitar características de um suspeito.
              A sociedade em geral se sabe que é preconceituosa, trata com diferença as classe menos  privilegiadas como  negros e os pobres, estrangeiros ou qualquer outra parcela que seja minoria, ou que não tenha poder aquisitivo para ser tratado  como deveria.
               O termo “fundada suspeita  pode estar entranhado nos fundamentos aparentemente legais da realização da busca pessoal.
              Faz-se necessário um estudo uma investigação acerca  do estigma e que formas de discriminações podem aflorar no instante da decisão que o Guarda tem de tomar diante da possível   busca pessoal.
              Os agentes operadores de segurança devem sempre ter fixado em suas decisões a necessidade de muita tranqüilidade, para deixar de perpetrar   procedimentos que são lesivos e ter sempre em mente que o profissional GCM, não aborda e sim faz uma verificação social  só assim estará dando início a  mudança   cultural  comportamental na sua corporação e sociedade, quebrando paradigmas focando realmente em uma visão futurista de sociedade aculturada e verdadeiramente moderna despojada de preconceitos e discriminações de gênero.

ATITUDE SUSPEITA

Sempre me intriga a notícia de que alguém foi preso? Em atitude suspeita?. É uma frase cheia de significados.
Existiriam atitudes inocentes e atitudes duvidosas diante da vida e das coisas e qualquer um de nós estaria sujeito a, distraidamente, assumir uma atitude que dá cadeia!
- Delegado, prendemos este cidadão em atitude suspeita.
- Ah, um daqueles, é? Como era a sua atitude?
Suspeita.
- Compreendo. Bom trabalho, rapazes. E o que é que ele alega?
- Diz que não estava fazendo nada e protestou contra a prisão.
- Hmm. Suspeitíssimo. Se fosse inocente não teria medo de vir dar explicações.
- Mas eu não tenho o que explicar! Sou inocente!
- É o que todos dizem meu caro. A sua situação é preta.
Temos ordem de limpar a cidade de pessoas em atitudes suspeitas.
- Mas eu estava só esperando o ônibus!
- Ele fingia que estava esperando um ônibus, delegado. Foi o que despertou a nossa suspeita.
- Ah! Aposto que não havia nem uma parada de ônibus por perto. Como é que ele explicou isso?
- Havia uma parada sim, delegado. O que confirmou a nossa suspeita. Ele obviamente escolheu uma parada de ônibus para fingir que esperava o ônibus sem despertar suspeita.
- E o cara-de-pau ainda se declara inocente! Quer dizer que passava ônibus, passava ônibus e ele ali fingindo que o próximo é que era o dele? A gente vê cada uma...
- Não senhor delegado. No primeiro ônibus que apareceu ele ia subir, mas nós agarramos ele primeiro.
- Era o meu ônibus, o ônibus que eu pego todos os dias para ir para casa! Sou inocente!
- É a segunda vez que o senhor se declara inocente o que é muito suspeito. Se for mesmo inocente, por que insistir tanto que é?
- E se eu me declarar culpado, o senhor vai me considerar inocente?
- Claro que não. Nenhum inocente se declara culpado, mas todo culpado se declara inocente. Se o senhor é tão inocente assim, por que estava tentando fugir?
- Fugir, como?
- Fugir no ônibus. Quando foi preso.
- Mas eu não estava tentando fugir. Era o meu ônibus, o que eu tomo sempre!
- Ora, meu amigo. O senhor pensa que alguém aqui é criança? O senhor estava fingindo que esperava um ônibus, em atitude suspeita, quando suspeitou destes dois agentes da lei ao seu lado. Tentou fugir e...
- Foi isso mesmo. Isso mesmo! Tentei fugir deles.
- Ah, uma confissão!
- Porque eles estavam em atitude suspeita, como o delegado acaba de dizer.
- O quê? Pense bem no que o senhor está dizendo. O senhor acusa estes dois agentes da lei de estarem em atitude suspeita?
- Acuso. Estavam fingindo que esperavam um ônibus e na verdade estavam me vigiando. Suspeitei da atitude deles e tentei fugir!
- Delegado...
- Calem-se! A conversa agora é outra. Como é que vocês querem que o público nos respeite se nós também andamos por aí em atitude suspeita? Temos que dar o exemplo. O cidadão pode ir embora. Está solto. Quanto a vocês...
- Delegado, com todo o respeito, achamos que esta atitude, mandando soltar um suspeito que confessou estar em atitude suspeita é um pouco...
- Um pouco? Um pouco?
- Suspeita.

VERÌSSIMO, Luís Fernando. A Grande Mulher Nua. São
Paulo: Círculo do Livro, 1989.




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