Oração da Serenidade



Deus, concedei-me,
A serenidade para aceitar as coisas que eu não posso modificar;
Coragem para modificar as coisas que posso, e
Sabedoria para saber a diferença.
Vivendo um dia de cada vez;
Desfrutando um momento por vez;
Aceitando as dificuldades como o caminho da paz;
Tomando, como ele fez, este mundo pecaminoso como ele e, não como eu gostaria que fosse;
Confiando em que ele fará todas as coisas certas se eu submeter-me a sua vontade.
Que eu possa ser razoavelmente feliz nesta vida;
E infinitamente feliz com ele para sempre na próxima.
Amém.

domingo, 1 de dezembro de 2013

GCM não tem câmera


‘Big Brother’ da GCM não tem câmera

Os equipamentos do ônibus que seria usado para combater o tráfico na Cracolândia não funcionamDIÁRIO DE S. PAULOLeo Martins/Diário SP
O micro-ônibus comprado pelo governo virou um objeto de decoraçãoO micro-ônibus comprado pelo governo virou um objeto de decoração
POR: Amanda Gomes 
Especial para o DIÁRIO

Estacionado na Praça Júlio Prestes, no Centro de São Paulo, desde o dia 19 de novembro, o micro-ônibus comprado pelo governo federal com a promessa de ajudar a  GCM (Guarda Civil Metropolitana) a combater o tráfico e uso de drogas na região da Cracolândia virou um objeto de decoração no cenário degradado tomado por usuários de crack.

O principal equipamento do veículo, as câmeras de segurança, simplesmente não funcionam. Os policiais tampouco receberam os teaser (armas de choque) e sprays do projeto Crack, é possível vencer.

Além do  veículo, que conta com 20 câmeras externas para vigiar os traficantes e usuários de drogas, a Guarda Civil Municipal deveria ter recebido duas motos, dois carros,  250 teasers e 750 sprays. As imagens não são captadas porque ainda não foi feito o convênio com a  Eletropaulo para ligar os equipamentos à rede de energia. São cinco microcâmeras na parte de fora e mais duas internas inutilizadas. São Paulo recebeu cinco kits para a GCM, um para a Polícia Militar e um para a Polícia Civil.

Somente o micro-ônibus estacionado na Praça da Sé está funcionando completamente. A assessoria da GCM se negou, ontem, a  informar resultados básicos do projeto como, por exemplo, quantas pessoas foram presas desde julho.

O programa do governo federal em parceria com a s secretarias de Assistência Social e Segurança Pública do estado e  Prefeitura visa combater o tráfico de drogas, inibir novos usuários e  encaminhar os que estão nas ruas para tratamento.  Mas, para um guarda-civil entrevistado ontem pelo DIÁRIO,  a realidade é outra.

“Era para os assistentes estarem aqui, mas ninguém aparece. Só tem a PM e nós”, diz. O nome do guarda vai ser preservado a pedido dele, que tem medo de retaliação.

Desde janeiro de 2012, o Estado tenta combater o tráfico na região da Cracolândia, porém,  de acordo com moradores, o número de usuários cresce a cada dia. “Eu nunca vi este lugar como agora. Não aguento mais esta situação. Colocaram um ônibus virado de costas para o problema. Não querem enxergar isto aqui”, comentou Ana Lúcia Marques, 46 anos.

Alguns moradores de um prédio próximo à praça estão mudando do local por causa dos usuários. “Morei 34 anos neste local. mas  não dá mais”, reclama Hildo Luiz.

Os usuários tomaram novamente as ruas da Luz e moram em barracas improvisadas. São mais de 20 espalhadas pela praça.  “Não temos muito o que fazer. É uma loucura este local.

Os usuários não chegam perto do ônibus. Ficam eles lá e nós aqui”, conta o guarda-civil.

GCM diz que instalação ainda está no prazo

A assessoria de imprensa da GCM (Guarda Civil Metropolitana) confirmou ontem, em nota, que o micro-ônibus instalado na Luz não foi totalmente inaugurado, mas esse trabalho ainda está dentro do prazo, sem especificar quando ele vai ser terminado.

O órgão de segurança do governo municipal admite que as câmeras não foram ligadas por questões burocráticas, mas não confirma se realmente falta a assinatura de um convênio com a Eletropaulo, a concessionária de energia elétrica. 

Também informa que São Paulo foi a primeira cidade a receber os equipamentos do governo federal e, por isso, os kits ainda estão em fase experimental. Não há qualquer resposta sobre o fato dos teasers e sprays não terem sido entregues aos GCMs.

A nota   não informa também quando termina esse período de  experiência tampouco quando todo o programa vai estar em funcionamento. Sobre a instalação dos outros três micro-ônibus, a resposta é que  não há data certa para isso acontecer.

A Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Militar não confirmaram se já receberam os kits nem onde os mesmos serão instalados.

Análise

José Vicente da Silva, ex-secretário Nacional de Segurança Pública

Investimentos errados

O governo federal sempre quer mostrar serviço, mas não faz as melhores escolhas. Colocar kits para monitorar os usuários não vai resolver o problema do crack em lugar nenhum. É preciso ir além disso, com políticas públicas.

É necessário união entre os governos federal e estadual, secretarias de Assistência Social e organizações sociais para tentar combater este mal. Acredito ser preciso colocar a mão na massa porque a realidade vai além da tecnologia. É preciso ouvir os moradores da região, os profissionais que trabalham diretamente com essas pessoas e, principalmente, os usuários.

Também é necessário investir em recursos hospitalares e de pessoas para, assim, conseguir detectar onde está o problema e poder combatê-lo. Internar quando for preciso e, principalmente, ouvir. Investir em equipamentos tecnológicos não é a melhor solução, principalmente quando não funcionam. O governo gosta de gastar dinheiro com coisas que não precisa.

A GCM tem uma equipe de monitoramento boa e eficiente, não é preciso gastar dinheiro com um ônibus que não serve para nada. São Paulo está se adaptando com este problema. Resolvê-lo é um trabalho de formiguinha, mas desde que sejam feitos investimentos em coisas certas.

O governo federal adora rotular programas e, na prática, a situação é outra. A contribuição de um micro-ônibus de monitoramento é praticamente zero.

Lugares onde serão entregues os Kits
O projeto visa atender as regiões com maior número de tráfico de drogas. Foram entregues kits contendo  250 teasers e 750 sprays, armas consideras de menor potencial ofensivo. As polícias Militar e Civil não informaram quando receberam e para onde vão esses equipamentos. A Guarda Civil disse que armas serão destinadas aos agentes que trabalham na Praça da Sé (instalada desde outubro), Luz, República, Metrô Saúde e Avenida Senador Teotônio Vilela. O investimento total foi de R$ 22 milhões

Moradias improvisadas no meio da praça
Os usuários de droga da região da Luz fizeram moradias improvisadas com barracas. Os moradores dos prédios afirmam que não conseguem mais dormir.

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